Visões de um poema sujo

/Marcio Vasconcelos

CURADORIA: Diógenes Moura


Mesmo quase cinco décadas depois, o “Poema Sujo”, escrito pelo maranhense Ferreira Gullar durante exílio na Argentina se mantém atual. Desde 2014 o fotógrafo maranhense Márcio Vasconcelos vinha se debruçando sobre a obra do poeta, com o objetivo de reinventar, pela fotografia, os locais, pessoas e sensações descritas por Gullar em seu mais emblemático poema, com o objetivo de criar sensações visuais como as do próprio poeta, ao descrever a cidade de São Luis.

Certa vez, Gullar afirmou numa entrevista: “Eu pego o que tem de escuro, de sujo, as cadeiras velhas, os armários velhos, e coloco uma luz. Vou até embaixo, no fundo, e subo trazendo tudo junto: o que é poesia e o que não é poesia”. Márcio buscava, no início do minucioso trabalho de pesquisa “compreender” como seria essa São Luís na visão do autor, quais os tons e nuances dessa cidade... E é esse realismo caricatural de Gullar, lembranças de sua infância e cenas do cotidiano, que ele captura de forma magistral em suas lentes.

O projeto em questão foi premiado em 2014 com o Prêmio Marc Ferrez de Fotografia e ganhou uma exposição em 2017, no Museu Afro Brasil, localizado no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, com curadoria de Diógenes Moura, acompanhada do lançamento do livro “Visões de um poema Sujo” com edição pela Vento Leste Editora. Após a exibição de SP, a mesma foi apresentada na Galeria Cora Coralina, em Goiânia, no Festival de Fotografia de Paraty e também no Festival Valongo de Fotografia, em Santos/SP.

Desde então, tínhamos a intenção de apresentar esse sensacional trabalho na nossa cidade de São Luís, berço da inspiração dos dois artistas, para fruição do público maranhense.