MATINHA, MA

1959

Zimar

Zimar, como assina e é conhecido Eusimar Meireles Gomes, é brincante de Cazumbá do Bumba meu boi, de modo que incorpora esse personagem por meio das caretas, “máscaras” criadas para paramentar as figuras que portam um amplo vestido com bordados e ornamentos coloridos, e que trazem um badalo na mão — geralmente um sino de boi. Ao acompanhar os Bumbas meu boi de sua cidade, o artista confecciona as caretas — também chamadas de queixos —, que transformam os brincantes em seres mágicos de expressão indizível, combinando, de modo afiado, humor e assombro. Sua prática se inicia na observação da ergonomia de algumas máscaras e seu desconforto no rosto dos brincantes, depois de o artista ter se machucado com um queixo. Do manejo exímio de materiais diversos encontrados em diferentes lugares — sobretudo PVC, pó de serra, ossos, pedaços descartados de capacetes, motocicletas e bicicletas —, Zimar produz caretas distintas mas que guardam uma linguagem única entre si. “É de noite, sonhando, que eu vejo as caretas, e também nas paredes; vejo nas manchas e marcas do tempo, que se parecem com os bichos. O mofo revela imagens de rostos monstruosos”, em suas palavras.

Em 2022, Zimar realizou uma exposição individual dedicada às suas caretas no Centro Cultural Vale Maranhão, em São Luís. A mostra intitulada ZIMAR é composta com 65 obras de diferentes períodos e materiais distintos — um conjunto que revela a singularidade e a capacidade elástica de sua prática, bem como sua profunda dedicação à brincadeira do Bumba meu boi. Também participou da exposição coletiva Arqueia mas não quebra, primeira edição do programa Contra-Flecha, na Almeida & Dale Galeria, em São Paulo.